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Rio de Janeiro,04/02/2026

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Andre Luiz Santiago Eleuterio

Cuidado com o Amanhã — André Luiz Santiago Eleutério

Escolhas tardias


Cuidado com o amanhã. O amanhã tem uma estranha mania de ser sempre tarde demais.


A gente cresce acreditando que o tempo é generoso. Que o amanhã é um campo aberto, pronto para acolher tudo o que hoje nos pesa. E é por isso que adiamos conversas, sentimentos, decisões e até pequenos gestos — porque a gente insiste em imaginar que terá chance depois.


Mas o amanhã não é gentil.

Não é paciente.

E, definitivamente, não tem obrigação nenhuma de nos esperar.


Cuidado com o amanhã, porque ele cobra com juros tudo aquilo que você empurra para frente achando que vai resolver sozinho. A vida não se move por milagre: ela se move por coragem, e coragem não costuma morar no amanhã  mora no agora.


Não é só sobre mágoa.

Não é só sobre amor.

É sobre tudo aquilo que você posterga acreditando que o tempo é seu cúmplice, quando na verdade ele está cansado de te avisar que não é.


Quantas vezes você já disse para si mesmo: “Eu resolvo isso amanhã.”

E amanhã veio frio, apressado, distante  e você descobriu que o que era difícil ontem se tornou impossível hoje?


Nós não adiamos apenas perdões.

Adíamos verdades.

Adíamos recomeços.

Adíamos limites.

Adíamos sonhos.

Adíamos cuidados com a saúde emocional.

Adíamos decisões que poderiam mudar a rota inteira da nossa vida.


E o mais cruel é que o amanhã não faz barulho quando fecha a porta.

Ele simplesmente fecha.


A mágoa?

Sim, ela também entra nesse jogo. Às vezes guardamos tanto, seguramos tanto, que confundimos a dor momentânea com o fim definitivo. 

E só percebemos tarde demais que havia espaço para cura, que havia espaço para conversa, que havia espaço até para um novo capítulo  mas preferimos deixar para depois.


E depois não veio.


Mas o texto não é só sobre isso.

É sobre o que você perde quando vive acreditando que sempre poderá tentar novamente.

É sobre os “quase”, os “por pouco”, os “se eu tivesse falado”, os “se eu tivesse ficado”, os “se eu tivesse tentado”.


Amanhã é o território perfeito da ilusão  é onde escondemos tudo o que não temos coragem de enfrentar hoje.

E o preço?

Sempre chega.

Sempre dói.

Sempre surpreende.


Talvez o grande enigma da vida esteja aqui:

não é o amanhã que é tarde  é a nossa esperança de que ele será melhor do que o hoje, mesmo quando nada é feito para isso acontecer.


Amanhã não cura o que você não toca.

Amanhã não repara o que você não enfrenta.

Amanhã não salva o que você abandona.

Amanhã não devolve quem se cansa de esperar.


Por isso, cuidado:

Se hoje já está difícil, amanhã pode ser impossível.

Se hoje pesa, amanhã pode quebrar.

Se hoje ainda dá para resolver… resolva.


O amanhã tem uma mania estranha.

E quase sempre, quando chega, chega tarde demais.


— Andre Luiz Santiago Eleuterio




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