Crimes na tríplice fronteira são tema do Caminhos da Reportagem


A grande Foz do Iguaçu faz fronteira com cinco cidades de dois países: Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandárias e Minga Guazú, localizadas no Paraguai, e Puerto Iguazú, na Argentina. “É uma região que tem aproximadamente 1 milhão de indivíduos e é uma dinâmica que se faz de fato transfronteiriça”, afirma o professor de Direito Internacional Gustavo Oliveira Viera.
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Mais de 30 mil pessoas cruzam, todos os dias, a Ponte da Fraternidade que liga Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, na Argentina. Além disso, 100 mil passam pela famosa Ponte da Amizade, que conecta Brasil e Paraguai.
De acordo com as autoridades locais, o intenso entra e sai torna inviável pedir documento para todo mundo. A saída é apostar em capacitação e tecnologia. “Nós temos investido em inteligência e no treinamento dos servidores em relação à linguagem não verbal”, explica o auditor da Receita Federal Daniel Messias Linck.
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É dessa forma que a Receita tenta barrar outro crime: o tráfico de seres humanos. “São casos que têm um perfil. Geralmente são pessoas que não sabem dizer exatamente para onde estão indo e que têm uma característica de muito medo”, complementa o auditor.
Já o combate ao tráfico de crianças requer cuidado multidisciplinar. Após se unirem, órgãos públicos e sociedade civil têm colhido frutos da força-tarefa na fronteira. No Paraguai, a repórter Flavia Peixoto conversou com um casal de missionários para entender como o trabalho é feito.
“Nós ajudamos famílias com comida, educação e medicamentos, porque, quando estão bem, elas não são tão suscetíveis ao tráfico”, conta o holandês Jacob Schaafsma. “Queremos prevenir essa situação com famílias vulneráveis ou disfuncionais. Já tivemos casos de pais e avós que vendem crianças”, diz a venezuelana Nathaly Schaafsma.
A produção da TV Brasil descobriu que a falta de documentação é um prato cheio para os criminosos. Como é o caso da neta da dona de casa Cândida Sanabria. A criança só conseguiu ser registrada com quase três anos de idade, depois que foi adotada pela família. “Abigail é tudo para mim. É minha companhia e minha alegria”, compartilha.
Crimes tidos como menos graves, como contrabando (quando a mercadoria é proibida no Brasil) e descaminho (quando a mercadoria é permitida, mas o imposto não foi pago ao entrar em solo brasileiro), são os mais comuns em Foz do Iguaçu.
“O contrabando e o descaminho estão muito associados com o crime organizado e a lavagem de dinheiro. Eles são quase indissociáveis. O crime organizado percebeu, há muito tempo, que o descaminho é talvez até mais rentável do que o tráfico de drogas. Você tem cargas de celulares aqui que chegam a R$ 5 milhões”, revela a auditora da Receita Federal Carolina Morimoto.
Prêmios
No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileira mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos.
Desde 2010, quando foi iniciada a contagem, já foram 101 honrarias. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.



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